Pesquisa da Intrum Brasil revela que 35% das empresas brasileiras aceleraram a digitalização na pandemia


  • Quase metade das empresas tentaram renegociar dívidas com credores para conter despesas
  • Setores de transporte e logística e de hotelaria e turismo foram os mais afetados pela crise, sendo 69% e 66% respectivamente na queda de resultados.

As crises sempre foram momentos de mudança e de criatividade dos empreendedores para superar desafios. Durante a crise gerada pela Covid-19 não foi diferente. Como saída para este momento no Brasil, por exemplo, 35% das empresas aceleraram seu processo de digitalização para manter as operações funcionando. Os números são de um estudo elaborado pela Intrum, uma empresa europeia com mais de 100 anos de existência e líder no mercado de cobrança, que está presente no Brasil desde 2018. O relatório, que tem como objetivo entender o comportamento de pagamento e o impacto na perspectiva de negócios das corporações, é publicado anualmente desde 1998 e esta é a primeira edição que inclui dados específicos do Brasil.

“É interessante notar que esse percentual é maior nas pequenas e médias empresas, em que 37% afirmaram terem acelerado o passo da transformação digital, do que nas grandes empresas, em que apenas 27% disseram o mesmo. Uma das possíveis explicações para essa diferença está no fato de que as grandes corporações já estavam mais avançadas nesse processo, enquanto as menores foram obrigadas a caminhar nesse sentido pela própria pandemia”, avalia Ulisses Rodrigues, CEO da Intrum Brasil.

Ainda de acordo com o estudo, a crise provocada pela pandemia de Covid-19 também fez com que quase metade das empresas do país (49%) tentasse renegociar dívidas com credores, sendo 25% de dívidas bancárias e 24% com fornecedores.

De forma geral, os dados comprovam que as empresas brasileiras tiveram e continuam tendo dificuldades para gerar resultados positivos e se manter competitivas no mercado. Entre as entrevistadas, 52% registraram queda no lucro durante a pandemia. Determinados setores foram ainda mais afetados pela crise. É o caso, por exemplo, do setor de transporte e logística, que viu seus resultados recuarem 69%, e de hotelaria e turismo, com queda de 66%.

Além de renegociar dívidas com seus credores, as empresas também tiveram que rever prazos de pagamento para os seus próprios clientes. Entre as entrevistadas, 59% aceitaram prazos de pagamento maiores para evitar a falência. Mesmo oferecendo prazos maiores, o risco de inadimplência segue forte, com 63% das companhias declarando estarem mais preocupadas do que nunca em relação à capacidade dos devedores de pagarem em dia. Com isso, 71% das empresas acreditam que o risco de não pagamento aumentará nos próximos 12 meses.

Sobre o estudo

A Intrum publica, anualmente, o Relatório sobre pagamentos na Europa desde 1998. Essa é a 1ª edição do relatório para o Brasil, com foco em riscos de pagamento em uma escala nacional.

O relatório é baseado em uma pesquisa realizada simultaneamente em 29 países entre 26 de janeiro e 16 de abril de 2021. No total, foram entrevistadas 11.187 empresas de 11 setores diferentes. No Brasil, 700 companhias participaram do estudo, sendo 521 pequenas e médias empresas e 179 grandes empresas.

O conteúdo do relatório foi criado pela Intrum em parceria com a Longitude, consultoria especializada em serviços de pesquisa para empresas multinacionais e investidores, com sede em Londres, Inglaterra.

O estudo na íntegra pode ser acessado aqui.