Pandemia impulsiona uso de cartões virtuais, que ganham novos usos


Aumento de compras on-line faz consumidores optarem por modalidade mais segura para transações

O crescimento das transações digitais na pandemia impulsionou o uso dos chamados cartões virtuais – aqueles que geram uma combinação aleatória a cada transação para evitar que o número verdadeiro seja exposto na internet e fique sujeito a fraudes.

Dono da maior base de cartões emitidos no país, o Itaú Unibanco viu o uso da funcionalidade crescer 150% no ano passado, quando foram gerados 16 milhões de cartões virtuais. O banco oferece a solução desde 2015. No Santander, em abril deste ano, 49% dos clientes tinham a versão on-line, aumento de 21 pontos percentuais em relação ao fim de 2019. A fatia de compras não presenciais com cartão on-line avançou 19 pontos no período, chegando a 36%.

Também houve maior procura pelo serviço na Superdigital, fintech do Santander. Na unidade, a participação do cartão virtual no total passou de 23% em janeiro de 2020 para 28% maio deste ano.

O aumento do interesse tem levado emissores e bandeiras a pensar em novas possibilidades. Alguns começam a oferecer cartões 100% virtuais, ou seja, não associados a um plástico emitido. As novidades corroboram com estudo da Mastercard segundo o qual 82% dos brasileiros estão abertos a usar um cartão totalmente digital.

O Itaú lançou neste mês o cartão on-line recorrente para pagamento de serviços de streaming, assinaturas, apps de transporte, e outros. “Com a mudança de comportamento dos nossos clientes, identificamos a necessidade de criação de um cartão virtual que também pudesse ser usado em serviços do dia a dia”, diz Fernando Amaral, diretor do banco, em nota.

A Mastercard e a Bankly criaram um cartão “digital first”, que poderá ser usado por meio de qualquer dispositivo conectado. O cartão físico é opcional. O produto será oferecido a clientes de bancos parceiros da fintech. A segurança se dá por meio de um token e da criação de um código a cada transação.

“A experiência de pagamento 100% digital chega num momento em que a digitalização dos hábitos de consumo foi impulsionada pela pandemia, endereçando uma demanda crescente do consumidor por inovação, praticidade e segurança”, diz Estanislau Bassols, gerente-geral da Mastercard Brasil.

A Elo e a paySmart, fintech que desenvolve soluções de meios de pagamento para empresas, começam a oferecer tecnologia que possibilita a emissão de cartão virtual de forma temporária para carteira digital. Nas transações físicas, os pagamentos se dão com QR Code em terminais, usando um hub criado pela bandeira. Felipe Maffei, diretor de inovação e produtos da bandeira, diz que mais de cem instituições, entre bancos e fintechs, estão aptas a integrar o hub.

Segundo o presidente da paySmart, Daniel Oliveira, do ponto de vista do estabelecimento, será uma transação normal. No entanto, os portadores poderão usar o cartão logo após abrirem a conta, sem ter de esperar a chegada do cartão físico. “Funciona com qualquer celular, por mais simples que seja”, diz.

As compras remotas com cartões cresceram 35% no primeiro trimestre deste ano, movimentando R$ 120 bilhões, segundo a Abecs, associação do setor.

Fonte: Valor Econômico