Open Insurance: mais da metade dos brasileiros ainda resistem em compartilhar seus dados, revela pesquisa


De acordo com estudo, 34% não acham que é um processo seguro; e 33% possuem o receio de receber ligações de telemarketing

Em vias de iniciar a primeira fase do Open Insurance no Brasil, 59% dos consumidores ainda não pretendem compartilhar seus dados em troca de ofertas exclusivas, condições diferenciadas e outros benefícios. É o que mostrou a mais recente pesquisa NPS Prism do setor de Seguros, realizada pela Bain & Company. Com a primeira fase prevista para 15 de dezembro, o mercado de seguros se prepara para estabelecer um novo patamar de interação com seus clientes, em um cenário ainda mais competitivo.

A pesquisa da Bain mostra, no entanto, que muitos clientes ainda não abraçaram a ideia por completo. O estudo, realizado entre os dias 21 de agosto e 10 de setembro, com aproximadamente 3.500 respondentes de todo o Brasil, apontou que 1 a cada 3 brasileiros tem medo de compartilhar seus dados por receio de receber ligações de telemarketing.

Quando perguntados sobre as razões pelas quais não possuem interesse em compartilhar seus dados com as empresas, 35% dos brasileiros afirmam não querer que as instituições tenham acesso aos seus dados financeiros; 34% não acham que é um processo seguro; e 33% possuem o receio de receber ligações de telemarketing.

Segundo Luiza Mattos, sócia da Bain & Company, apenas ter um relacionamento de longo prazo com a seguradora não é suficiente para convencer o consumidor a compartilhar os seus dados. “A pesquisa mostrou que apenas 22% dos respondentes consideram este um critério relevante, o que revela que as companhias precisam repensar o tratamento com seus clientes”, diz.

O cenário de insegurança dos clientes, no entanto, não é novidade. No 1º trimestre de 2021, menos de 30% dos brasileiros tinha interesse em compartilhar seus dados no processo de Open Banking, análogo ao Open Insurance, mas dedicado ao segmento de bancos/serviços financeiros. Com fortes investimentos em comunicação promovidos pelo setor sobre segurança, transparência no uso de dados e benefícios ao cliente, o índice de brasileiros que tem interesse em compartilhar seus dados saltou para 44% no 3º trimestre de 2021. Os dados da pesquisa NPS Prism do setor de Bancos, também realizada pela Bain & Company, reforçam que conhecer o conceito é fundamental para garantir engajamento: os brasileiros que entendem o que é o Open Banking tem mais que o dobro de probabilidade de compartilhar os dados financeiros.

Por outro lado, a pesquisa apontou que dentre os que estão dispostos a compartilhar seus dados (41%), a reputação da empresa e a transparência sobre como os dados serão utilizados são critérios decisivos. Além disso, outros aspectos considerados pelos consumidores no compartilhamento das informações foram:

·       Reputação da empresa: 59%

·        Transparência sobre como utilizarão os dados: 57%

·        Qualidade do atendimento que dá a seus clientes: 43%

·        Benefícios oferecidos: 38%

·        Recomendação de amigos ou familiares: 23%

A Bain também quis compreender quais são os principais benefícios que os usuários esperam das empresas do setor com a iniciativa. Segundo a pesquisa, 60% querem ter vantagens em programa de recompensas; 58% ter condições diferenciadas de preço/cobertura; e 50% esperam receber ofertas de produtos mais personalizadas às suas necessidades. “Personalização na oferta e programas de benefícios podem contribuir para convencer o segurado a compartilhar suas informações, reforçando a importância de uma estratégia centrada no cliente”, ressalta Luiza.

No dia 21 de julho, o Conselho Nacional de Seguros Privado (CNSP) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep) publicaram, respectivamente, a Resolução nº 415 e a Circular nº 635, com as diretrizes que regulam a implementação do open insurance no Brasil. O cronograma da iniciativa prevê três fases. Inicialmente está prevista a abertura de dados não pessoais ou dados públicos com início em 15 de dezembro. Após isso, até setembro de 2022 está previsto o início do compartilhamento de dados pessoais, incluindo dados cadastrais e de contratos, que dependem inteiramente do consentimento do consumidor. E na última etapa, até dezembro de 2022, será iniciado o compartilhamento de serviços, que também dependem inteiramente do consentimento dos segurados.