Guerra das maquininhas? Com novo aporte na vhsys, Stone mostra que isso é passado


Esse é o segundo aporte da empresa de adquirência na startup, que desenvolve sistemas de gestão voltados a micro e pequenos empresários. A rodada série B, de valor não revelado, amplia a lista de investimentos da Stone para compor um ecossistema de softwares no entorno do seu negócio principal

Há cerca de dois anos, a brasileira Stone passou a explorar outras fontes de receita além dos meios de pagamento. Criou uma conta digital e começou a mostrar um grande apetite por aquisições, principalmente no segmento de sistemas de gestão.

Essa intenção ficou ainda mais clara com a compra da Linx, por R$ 6,7 bilhões, em 2020, depois de uma intensa disputa com a Totvs. Agora, a empresa encaixa uma nova peça nesse quebra-cabeça com um aporte série B na startup vhsys, que oferece um software de gestão com foco em micro e pequenos empresários.

O valor não foi revelado, mas esse é o segundo investimento que a empresa faz na startup. O anterior foi em 2019. “Para nós, a Stone é mais do que um investidor”, afirma Reginaldo Stocco, CEO e fundador da vhsys, ao NeoFeed. “Queremos descomplicar o processo do empreendedor e oferecer, em conjunto, a melhor experiência possível.”

A vhsys oferece uma plataforma para que o pequeno empreendedor faça o salto para o ambiente digital. O pacote mais completo, que custa R$ 224 ao mês, conta com recursos como emissão de notas fiscais, aplicativo, gestão de vendas, controle financeiro, organização do estoque e integração com a frente de caixa no ponto de venda.

O cliente também pode escolher listar seus produtos em outros marketplaces, como Olist e Mercado Livre. Ou acoplar os serviços financeiros da Stone, como a emissão de nota fiscal diretamente na maquininha ou o pagamento de contas e antecipação de recebíveis. “É uma experiência de open banking de forma integral, em uma só vertical”, afirma Stocco.

Com a nova rodada, a empresa quer ampliar sua equipe de 220 para 400 funcionários até o fim de 2021. A prioridade é o time de vendas. Entre março de 2020 e fevereiro de 2021, o número de micro e pequenos negócios que passaram a usar a loja virtual vhsys aumentou 127%. A meta é superar 100 mil clientes nos próximos anos. O investimento também será usado para ajudar a ampliar a oferta de serviços disponíveis na plataforma. Hoje, são 50 integrações com parceiros.

Com o novo aporte feito na vhsys, a Stone amplia a variedade de plataformas que oferece e sua lista de aportes e aquisições. Entre outros ativos, a empresa fundada por André Street já investiu na Linked Gourmet, uma plataforma de gestão para restaurantes, no aplicativo de entregas Delivery Much, e na startup de saúde Vitta, que oferece sistemas para consultórios médicos e planos de saúde para startups.

Os exemplos mostram como essas empresas se encaixam na proposta da Stone. No caso da Vitta, a solução de pagamento passou a integrar a plataforma de gestão de consultórios usada por 15 mil médicos. É o mesmo princípio usado na área de restaurantes, ou com foco em PMEs, como é o caso da vhsys.

“A Stone entende a cadeia de valor do cliente e busca resolver outras dores em conjunto”, afirma Edson Santos, um dos principais especialistas em meios de pagamentos no Brasil. Em sua visão, a empresa oferece um pacote de serviços tão bem resolvido que faz o empresário pensar duas vezes antes de abrir mão de tudo em busca de um preço menor na concorrência.

É uma estratégia diferente de empresas como Cielo e Rede, que brigam para oferecer os melhores preços na área de pagamentos. A disputa, aqui, é com empresas como PagSeguro, que identificaram alguns dos maiores problemas do setor e buscam oferecer pacotes de soluções mais robustos.

A Totvs é outra concorrente de peso. A empresa de tecnologia criou uma divisão techfin para oferecer soluções tecnológicas integradas a serviços financeiros a seus clientes e disputou até o final a compra da Linx. A recente compra da RD Station mostra que a Totvs está se movimentando com força nesse segmento.

A estratégia Stone já tem reflexos em seus resultados. Avaliada em US$ 18,9 bilhões, a empresa reportou uma receita líquida de R$ 3,3 bilhões em 2020, alta de 28,9% sobre 2019. No período, a receita com subscrições na área de software superou a casa de R$ 200 milhões, um crescimento anual de 55%. O número de clientes de seu ecossistema de softwares saiu de 135 mil, no fim de 2019, para 387 mil, no encerramento do ano passado.

“Queremos oferecer ferramentas para empoderar nossos clientes a gerir seus negócios de forma mais eficiente e conectá-los a canais online para que eles vendam mais”, escreveu o CEO da Stone, Thiago Piau, na carta que enviou no início de março deste ano aos acionistas da empresa para apresentar o balanço de 2020.

“Começamos esse segundo ato do nosso negócio há quase dois anos e estamos felizes com a evolução nessa direção”, escreveu. Depois de consolidar as duas vertentes, de pagamento e de softwares, ele deu pistas de onde a companhia pretende atuar no futuro. “Nosso próximo passo estratégico é responder como podemos levar mais clientes para nossos comerciantes”, diz Piau. “Sabemos que infraestrutura de dados, experiência do usuário e integração tecnológica entre nossos negócios são elementos chave para fazer isso acontecer.”

Fonte: NeoFeed