Concorrência aumenta com a chegada do open banking


Muito além da conta digital, fintechs e bancos digitais têm ampliado a oferta de produtos e serviços financeiros, e seguros é uma das verticais de crescimento que começa a ser explorada. A estratégia é adicionar novas soluções para rentabilizar a base de usuários, em um contexto de maior competição, que deve se intensificar com a chegada do open banking.

No Inter, banco digital com 10 milhões de correntistas, a largada para a digitalização da oferta de seguros foi dada há dois anos, e vem sendo acelerada. A instituição mineira coloca suas fichas em uma plataforma com 16 seguros, dos tradicionais auto, residencial e vida ao seguro para pet. Com quase 270 mil clientes ativos, a operação de seguros do Inter tem feito cerca de 50 mil novas vendas por mês, conta Paulo Padilha, CEO da Inter Seguros. “Temos um time focado em dados. Acreditamos na oferta contextualizada de seguros.”

Entre o fim de abril e início de maio, a expectativa é lançar uma plataforma para contratação 100% digital de plano de saúde, com oferta de diversas administradoras, revela Padilha. “Em seguida, vamos lançar seguro para gadgets, que poderá ser contratado em um clique. Estamos trabalhando também no seguro garantia estendida”, afirma o executivo.

Com prêmios líquidos de R$ 37,1 milhões no quarto trimestres de 2020 e receita anual de R$ 42,2 milhões, a Inter Seguros quer diversificar operações. “Pensamos em abrir produtos para não correntistas, além da operação em outros países”, diz Padilha. Com o Inter e a Wiz como acionistas, a Inter Seguros tem um contrato de exclusividade com a Liberty Seguros, parceria que foi estendida em 2020 por mais 15 anos.

Um dos ‘neobanks’ mais valiosos do mundo, o Nubank – com mais de 35 milhões de clientes – também quer uma fatia em seguros. Em dezembro, o banco digital lançou um seguro de vida, a partir de R$ 9 por mês, em parceria com a Chubb. O produto, contratado pelo aplicativo, tem coberturas básicas de morte natural ou acidental e assistência funeral do titular.

O seguro tem cobertura de pandemias, como a covid-19, e de doenças como diabetes, que são comumente excluídas nos asteriscos de apólices do mercado tradicional, afirma Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank. Em menos de três meses, a fintech soma mais de 100 mil contratos ativos de seguro e mais de R$ 10,5 bilhões em cobertura. Cristina evita fazer projeções sobre o crescimento da base, mas dá uma pista. “Em levantamento com alguns clientes ativos do Nubank Vida, metade deles respondeu que nunca havia contratado esse tipo de produto.”

Quem também decidiu colocar um pé no setor de seguros foi o Mercado Pago, fintech do Mercado Livre. A estratégia foi iniciar com um seguro para celular, em parceria com a insurtech Pitzi e a seguradora Mapfre. Contratado pelo aplicativo do Mercado Pago, o produto tem coberturas de proteção total (inclusive roubo e furto), contra quebra de tela e danos acidentais. A empresa não divulga o número de pessoas que já contrataram o seguro, mas pela base de 20 milhões de usuários do Mercado Pago, dá para ter uma ideia do potencial de expansão.

“A partir de abril, vamos passar a dar opção de contratar o seguro de roubo e danos no check-out do Mercado Livre”, conta Renato Magalhães Leite, head da área de seguros do Mercado Pago. No início de março, o Mercado Livre anunciou que investirá R$ 10 bilhões no Brasil este ano – parte será destinada para serviços financeiros, inclusive seguros, lembra Leite.

Em julho passado, o Guiabolso lançou seguro de vida, em parceria com a Icatu Seguros. “Formamos um time multidisciplinar para trabalhar no produto específico para usuário do Guiabolso, criando experiência de contratação muito fácil”, diz Thiago Alvarez, fundador e CEO do Guiabolso.

Fonte: Valor Econômico