Cobrança de dívida por SMS funciona mais que carta ao devedor, indica estudo


Pesquisa da Serasa Experian divulgada com exclusividade ao 6 Minutos revela que 67,1% das pendências de regularização de crédito são solucionadas em até 60 dias quando a cobrança é realizada por SMS (mensagens de texto). O estudo, que coletou dados ao longo dos sete primeiros meses do ano, também indicou eficiência de 63,7% dos alertas enviados por e-mail e de 54% daqueles feitos por carta.

No entanto, apenas 7,8% das cobranças foram efetuadas pelo meio mais eficiente neste período, enquanto 64% por carta, aquele que se mostrou menos eficaz. O economista da entidade Luiz Rabi destaca que a maior parte da base de dados sobre inadimplentes é fornecida pelas organizações credoras.

“Esses dados são fornecidos pelas empresas que deram crédito e têm contrato com o Serasa. Muitas vezes, não há informações necessárias para que as cobranças sejam feitas pelos meios digitais, que costumam ter mais eficácia.”

Os resultados do estudo sugerem que o baixo índice de recuperação das dívidas cobradas por cartas esteja associado ao tempo mais longo de comunicação em comparação com o e-mail e o SMS, mecanismos instantâneos de mensagem.

Do contingente de recuperação de crédito, 63,8% são dívidas de 30 dias, 23,1% de 60 dias, 5% de 90 dias, 1,8% de um ano e 2,72% de mais de um ano. Ou seja, quanto mais antiga a pendência financeira, menores as chances de quitá-la, devido ao elevado custo dos juros que incidem sobre os valores.

“A carta muitas vezes demora a chegar ao destinatário. E nesse período, o valor da dívida cresce e fica mais difícil de pagar. No caso do SMS e do e-mail, que são meios de comunicação instantâneos, isso não ocorre. Também existem outros fatores, como o endereço fornecido pela empresa credora estar incorreto, extravios ou greve dos Correios”, explica Rabi.

O economista destaca que o número de cobranças por SMS deve crescer com o avanço da digitalização dos serviços financeiros, processo impulsionado pela pandemia do novo coronavírus. Desde setembro do ano passado, houve crescimento acentuado desta modalidade de cobrança, conforme aponta o estudo. Em agosto de 2020, houve 665.687 envios por este canal. No mês seguinte, este número saltou para 1.096 milhão, e se manteve estável.

“Cada vez mais as organizações vão perceber que este modelo é mais eficaz e implica em custos menores para todos. Temos percebido um crescimento bastante significativo das cobranças por meios digitais, mas como a base de dados parte dos credores, é preciso que a mudança venha deles.”

Fonte: 6Minutos