A inovação disruptiva dos serviços financeiros: Entrevista com Alexandre Lara, mediador do Debate Expresso


Para o Alexandre, co-fundador do Kitado! e do FintechLAB (agência de inovação em serviços financeiros), as soluções financeiras irão se transformar. Trata-se de uma questão de adaptação e de sobrevivência.

O especialista atua em inovação em serviços financeiros há 20 anos, combinando as capacidades de analytics, eficiência digital e design de serviços para conquistar um cliente cada vez mais exigente e mobile

No dia 26 de abril Alexandre mediará o debate entre líderes de Fintechs e bancos que estarão reunidos no “Debate Expresso”, um encontro matinal promovido pela CMS. O tema do debate será “Fintechs e Bancos: Inovação disruptiva do Sistema Financeiro.”.

Confira a entrevista exclusiva concedida por Alexandre Lara. à Best Performance:

Best Performance: Nesta relação entre Fintechs e bancos, há quem acredite que as fintechs representam uma ameaça aos bancos e demais instituições do segmento, por terem um potencial real de ficar com uma fatia dos lucros do setor bancário. Por outro lado, outros analisam o lado das possíveis parcerias, como o Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco, por exemplo, que preferiram não assistir passivamente à entrada dessas companhias em nichos valiosos do mercado brasileiro e já estão testando soluções criadas em seus próprios laboratórios. Como você enxerga este conflito ou estas parcerias?

Alexandre Lara: Eu enxergo de uma forma bastante positiva. O que está acontecendo é uma busca veloz pelo desenvolvimento de soluções financeiras mais aderentes às necessidades dos clientes. Os clientes estão mais exigentes, digitais, mobile e se acostumando rapidamente a serviços desenhados para oferecerem uma experiência diferenciada a eles – não é assim com Waze, Netflix, Uber e Spotify, entre tantos outros?

Ou seja, esta onda de serviços diferenciados e modelos de negócios disruptivos chegou à área financeira. Assim, as fintechs se multiplicam e começam a ganhar notoriedade e clientes. O FintechLab tem recebido o cadastro de 1 ou 2 novas fintechs por semana. Com a mesma intensidade, bancos, de todos os tamanhos, estão investindo também em novas soluções. Por enquanto, o ambiente competitivo tem permitido bastante colaboração, principalmente em torno de questões regulatórias (ex como abrir uma conta corrente online?) e de novas tecnologias (ex blockchain).

BP: Segundo dados divulgados pela área de research do FintechLab, o Brasil possui cerca de 400 fintechs, sendo que dessas 150 estão estágio mais avançado. Como o mercado brasileiro e os consumidores vem se comportando diante destas mudanças no sistema financeiro? Qual será o impacto disso no futuro do sistema financeiro em alguns anos em sua visão?

AL: O FintechLab acompanha a evolução das fintechs e vemos que elas estão crescendo não somente em número de empresas, mas também em faturamento, em número de clientes e em talentos. Se ainda não incomodam os bancos, muitas estão sendo muito bem sucedidas na validação de seus modelos de negócios. Certamente, em 5 a 10 anos muitas delas vão ter atuação relevantes em seus nichos de atuação. Os bancos que se adaptarem mais rapidamente também devem conseguir manter a sua dominância. Mas duas consequências são certas, o consumidor sairá ganhando com serviços cada vez melhores e os bancos perderão terreno em alguns nichos.

BP: Na sua opinião, quais cases de fintechs brasileiras se destacam em termos de inovação e rompimento de paradigmas no mercado financeiro?

AL:  As mais conhecidas são Nubank, Guia Bolso e Magnetis por já terem conseguido investimentos volumosos e ganho publicidade. Mas há uma legião de outros negócios, nas áreas mais diversas – pagamentos, recuperação de crédito, segurança, ambiente regulatório, conectividade, etc – a serem acompanhados de perto. O Radar FintechLab elenca algumas delas, que estão em diferentes estágios de desenvolvimento. Vamos falar de tendências e de alguns destaques no evento Debate Expresso da CMS.

BP: Um estudo do Global Center for Digital Transformation (DTB-Center) apontou que um terço dos executivos entrevistados teme que seus setores passem por uma completa transformação nos próximos cinco anos pela inclusão de negócios disruptivos. Você acredita que os modelos tradicionais e inovadores do sistema financeiro podem coexistir?

AL:  No FintechLab, acreditamos que as soluções financeiras irão se transformar. Trata-se de uma questão de adaptação e de sobrevivência. Certamente, isto acontecerá mais rápido em algumas áreas do que em outras. Talvez 5 anos seja pouco para uma transformação mais relevante. Mas a percepção dos executivos está correta – preocupa-me o fato dos 2/3 restantes não terem percebido que o setor está se transformando.

BP: O que as empresas podem e devem fazer para acompanhar a velocidade das mudanças de paradigmas trazidas por esses novos modelos de negócios, tanto no segmento financeiro quanto em outros segmentos?

AL:  Primeiro, reconhecer que algo precisa ser feito. Depois, organizarem-se para entender de que forma as mudanças podem afetar o seu setor de atuação e definirem as principais alavancas de atuação. Entre outras alavancas (ex estratégia clara de inovação, modelo operacional, tecnologia), consideramos a cultural como a catalisadora – quando a capacidade de inovação de uma empresa é sustentada por um movimento bottom-up, ela é muito mais consistente.

BP: Como você resume o trabalho do FintechLab frente a todo esse cenário?

AL:  O FintechLab tem apoiado tanto instituições financeiras como fintechs em suas trajetórias. Somos o primeiro Lab especializado em inovações financeiras e temos sido protagonistas no desenvolvimento do ecossistema de fintech brasileiro. Por meio de muita pesquisa, análises setoriais e advisory temos contribuído de forma relevante na geração soluções diferenciadas. Resumindo, temos levado ao mercado soluções não só desejáveis pelos clientes, mas também viáveis e rentáveis para as empresas.

BP: O que se pode esperar dessa discussão do Debate Expresso, que colocará no mesmo espaço as Fintechs, os Bancos e as empresas de tecnologia?

AL: O Debate Expresso proporcionará um debate bastante qualificado sobre os desafios de inovar no ambiente financeiro. Fintechs, bancos e agentes deste ecossistema compartilharão experiências práticas e suas percepções sobre as principais tendências. O formato também é inovador e propiciará um networking diferenciado aos participantes.

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