Setor de telemarketing cresce abaixo da inflação em 2015 e deve demitir neste ano


As empresas de call center tiveram crescimento nominal de 5% em 2015 –como o valor não está corrigido de acordo com a inflação, o resultado real é de queda.

A receita total do setor foi de R$ 45,6 bilhões. Neste ano, a expectativa é de um resultado modesto, com alta nominal de 1,1%, de acordo com Lucas Mancini, presidente da Sintelmark, sindicato do setor.

“A retração só não foi pior porque, em períodos de crise, as empresas tendem a cortar o serviço presencial de vendas e investir em call centers como forma de racionalizar os custos.”

A alta do dólar é um dos fatores que contribuíram para a retração, já que grande parte da tecnologia e servidores usados pelas empresas é importada.

Outro agravante, apontado por Mancini, foi a alta salarial nos últimos anos, que afetou as receitas das empresas.

O setor fechou 2015 com 1,7 milhões de empregados, mas a queda no desempenho deve afetar o número de postos de trabalho. Neste ano, a projeção é de retração de 2,16%.

O maior efeito da crise virá a longo prazo, devido à redução nos investimentos em renovação tecnológica e em capacitação de funcionários, segundo Mancini.

“E isso em um momento em que o serviço começa a migrar para o autoatendimento on-line, que exige mão de obra mais qualificada.”

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ALÔ DIGITAL

A AlmavivA, empresa de telemarketing e informática, vai investir neste ano R$ 40 milhões no país, dos quais 80% serão destinados ao desenvolvimento de novas tecnologias.

“Em um momento de crise, os clientes querem cortar custos. Temos de propor novos modelos de gerenciamento dos serviços”, afirma o CEO da empresa no Brasil, Francesco Renzetti.

O grupo, que também possui um braço especializado em tecnologia, tem aproveitado as novas soluções desenvolvidas para tornar a área de telemarketing da empresa mais eficiente.

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Nos últimos quatro anos, a empresa cresceu na faixa dos 40% no Brasil.

O faturamento de 2015 deve fechar acima dos R$ 900 milhões. Este ano, a companhia projeta um crescimento de 20% na receita.

A insegurança jurídica em relação à terceirização é um fator que bloqueia os investimentos das operadoras no país, diz Renzetti.

“Mas é um país com grande potencial, vamos manter nossos investimentos.”

32 mil é o número de funcionários da AlmavivA no país

11 unidades da empresa, distribuídas em oito cidades

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