Entrevista Best Perfomance: Jimmy Cygler, o encantador de histórias


Ele tinha todos os motivos para dar errado, mas quem disse que não se pode dar volta no próprio destino?

Com um ar de Steve Jobs econhecido como o Silvio Santos do mercado de televendas, Jimmy Cygler – um estadunidense de origem judaica, radicado em Israel e hoje brasileiro de coração – passou por muitas experiências que valem a pena ser contadas até chegar a ser sócio e presidente da Proxis, empresa de contact center multicanal considerada de ponta na personalização do relacionamento com clientes. Lutou em quatro guerras, viveu em três países, teve três casamentos que lhe deram seis filhos.

Quando voltou ao Brasil pela segunda vez, aos 41 anos, tinha dinheiro somente para comer e dormir por 30 dias. Esse era o prazo estipulado para montar seu próprio negócio e mostrar a que veio. Alguém pode dizer que ele não conseguiu?

Na estreia da seção Q&A – Questions and Answers -, que vai sempre contar o perfil pessoal de um executivo por meio de uma entevista ping pong na Best Perfomance, Jimmy nos conta um pouco da sua história de sucesso.

Best Performance: Sua história é complexa e dá um belo roteiro de cinema. Já pensou nisso?
Jimmy Cygler – Sim, pensei. Para isso é preciso escrever um livro autobiográfico, que éo que estou fazendo. Após mais de 50 anos juntando os pedaços do quebra-cabeça,finalmente estou em condições de finalizar esta primeira parte. Depois conversarei comSpielberg (risos).

BP: Você morou no Brasil ainda criança e depois voltou com dinheiro apenas para comer e dormir por 30 dias. E hoje é considerado, pela sua história de superação, o “Silvio Santos” do segmento. O que acha dessa comparação? A que você atribui esse sucesso?
JC: Não me considero nem remotamente comparável ao Silvio Santos. Ele é uma lenda. Eu sou apenas um batalhador, ainda no meio da batalha. Longe de vencer a guerra.

BP: Viver em três países (Brasil, Israel e EUA) deve ter sido um exercício de abnegação e tolerância com as diferenças. Como foi para você tratar e fazer negócios com tantas culturas distintas?
JC: Falo razoavelmente bem cinco idiomas e me viro em mais alguns. Este é parte do legado de ser multicultural. Outro legado é uma grande tolerância para diferenças entre seres humanos. O que muita gente atribui à pessoa dizendo “Fulano é assim ou assado”, eu, que militei em várias culturas, sei que é uma questão cultural, e não individual. Como exemplo já fui casado com uma americana feminista que cozinhava só para ela e não me deixava tocar nos seus livros. Para os brasileiros seria um absurdo.Para ela, normal.

BP: Você lutou em quatro guerras no Exército de Israel. O que essa experiência trouxe para sua vida pessoal e para os negócios?
JC: Em primeiro lugar, um resiliência incomum e um equilíbrio emocional essencial para surfar as ondas do mercado e ainda manter uma ótima saúde física, mental, espiritual e emocional. Mesmo já estando no terceiro terço do meu primeiro século, chego ao final de um dia de trabalho de 12 a 14 horas “zero bala”, apenas com sono.

BP: Geralmente quando se trabalha muito, um dos problemas é o afastamento e a falta de tempo para a família. Mas no seu caso parece que, ao contrário, sua família sempre teve papel primordial na sua trajetória como executivo. Não é?
JC: Como “pãe” que sou, sempre carrego culpa de não fazer o suficiente para os meus filhos, mas creio que devo ter feito muitas coisas boas também, tanto que meus seis filhos são maravilhosos, do bem e muito bem encaminhados na vida. Um caminho natural, que tem ajudado muito é que meus quatro filhos homens, que moram no Brasil, trabalham ou trabalharam na empresa, em algum momento. Isto aproxima muito e faz com que eles entendam a sobrecarga colossal que um empresário carrega nas costas no Brasil.

BP: Sua história foi marcada pela “ousadia” nos negócios. Você acha que o sucesso também está atrelado a uma dose de risco? Dá pra ser arriscado nos tempos de hoje?
JC: A diferença entre o ousado e o louco em uma palavra é o… RESULTADO. Já dei, nestes 26 anos de Brasil, várias cartadas absolutamente malucas, aos olhos de algumas pessoas. Por sinal, a maioria delas deu certo. Não apenas estamos vivos, como figuramos, por quatro anos seguidos, entre as 200 PMEs que mais crescem no Brasil*, sendo a única empresa de Call/Contact Center que conseguiu sequer entrar na lista. Isso não quer dizer que não levei vários tombos. Aqui entra a resiliência, que é o que nos ajudar a levantar dos tombos com espírito intacto.

BP: A Proxis é conhecida como uma boutique no quesito relacionamento com clientes. Como você conseguiu esse nível de personalização?
JC: A Proxis hoje é um boutique de CX – Customer Experience, ou seja, oferecer para o cliente de nosso cliente uma experiência completa, sem costuras ou rupturas de ponta a ponta. Isso é fácil de ser falado, mas muito difícil de ser entregue. Nossa experiência de longa data com CRM (Gestão de Relacionamentos com Clientes) – desde o lançamento de nosso sistema próprio em 1992 e desde que iniciei a primeira cadeira de pós-Graduação em CRM, na ESPM, em 1995 – nos ajuda hoje a entregar, efetivamente, o que muitas empresas prometem, mas não conseguem chegar nas minúcias que nós sabemos chegar. A isto se soma que somos parceiros Salesforce, a melhor plataforma de CRM do mundo, que sem isso o discurso não se materializa. E, nada melhor do que olhar para a base de clientes atuais e recentes, como Louis Vuitton, Harley Davidson, Jaguar Land Rover, Toyota, Pfizer, Novartis, Eli Lilly, Astra Zeneca etc., para conferir no que acreditamos.

*Esta entrevista faz parte da edição #25 da Revista Best Performance. Confira o conteúdo completo: http://www.bestperformancenews.com.br/best-performance-marco-2016/

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