Educação financeira: uma ferramenta para o desenvolvimento econômico sustentável


Com o crescente número de inadimplentes, investir em educação financeira se torna uma ferramenta primordial para a formação de consumidores consciente.

*por Viviane Valente

Nos últimos anos, no Brasil, com as mudanças significativas no perfil de renda da população, houve uma grande inserção das camadas sociais mais baixas para a chamada classe média.

Com a estabilização da economia, principalmente com o controle inflacionário e a criação de programas sociais de redução da pobreza, alterou-se o comportamento da população brasileira em suas decisões de consumo.

O acesso a determinados produtos que estavam nos sonhos de muitos brasileiros passou a se tornar realidade devido à facilitação da obtenção de crédito e, consequentemente, ao acesso de diversos produtos financeiros, como cartões de crédito, empréstimos consignados, entre outros.

Dessa forma, foram injetados no mercado demandantes de produtos e serviços, cada vez em maior número, buscando consumir cada vez mais, estimulados pelos meios de comunicação e pelo marketing bem elaborado e aplicado das empresas.

Entretanto, esse número crescente de consumidores, não acostumados com o universo financeiro, se deparou com um grande problema que está crescendo em números consideráveis: a inadimplência – a insolvência financeira do consumidor em não arcar com seus compromissos financeiros acompanhados dos desejos do consumismo.

É sabido que lamentavelmente a população brasileira carece de educação básica. Se falarmos da educação financeira, esta carência se eleva ainda mais.

A educação financeira é uma ferramenta considerada importante em todo o cenário internacional.  Para termos uma ideia, a crise financeira internacional de 2008 foi ocasionada pelos inadimplentes do sistema imobiliário norte americano, o que contribuiu para a bolha imobiliária, ocasionando uma crise financeira com impactos no mundo todo.

No Brasil, podemos observar que o grande problema que a falta de educação financeira ocasiona são, os assustadores números de famílias extremamente endividadas, os níveis de inadimplência crescente e a falta de um planejamento financeiro visando o futuro. Essas variáveis corroboram que o brasileiro desconhece as vertentes do sistema financeiro, o que dificulta o desenvolvimento de uma sociedade financeiramente consciente e sustentável.

O ciclo do endividamento é tão sério que desencadeia reflexos diretos no relacionamento do indivíduo na família e no trabalho, proporcionando crises de estresse, depressão e ansiedade. É um problema não somente de ordem financeira, mas também de saúde, afinal uma população educada financeiramente possui uma qualidade de vida melhor.

Com a educação financeira, o consumidor passa a ter uma visão mais consciente do consumo e de sua relação com o dinheiro, ou seja, é necessário que as pessoas compreendam todos os conceitos e produtos do mercado financeiro. Para tanto, é necessário que o educar financeiramente faça parte do aprendizado desde a infância até a vida adulta.

A educação financeira deve fazer parte do dia-a-dia do consumidor. Essa alfabetização deverá ser um processo educacional de responsabilidade do país, sendo necessário lançar mão de ferramentas governamentais como as escolas e programas sociais, a fim de criar cidadãos financeiramente educados e conscientes do consumo e do seu papel no desenvolvimento econômico e sustentável do país.

Em suma, a educação financeira fornece instrumentos para a melhor tomada de decisão em relação ao consumo, levando as pessoas a terem uma mudança eficaz na forma de lidar com o dinheiro e a pensar no futuro. Assim, educar colabora para a formação de um alicerce eficiente para o desenvolvimento sustentável do país.

*Viviane Valente é mestranda em Comércio Internacional  e Executiva de Contas da CMS Brasil

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