Educação financeira do brasileiro vai além da escolaridade, revela estudo inédito da Serasa Experian e do IBOPE Inteligência


De acordo com a análise, as habilidades e práticas de leitura, escrita e matemática não refletem melhora na atitude e no comportamento financeiro dos brasileiros. Por faixa etária, o nível de educação financeira das pessoas com mais idade (entre 55 e 64 anos) vai na contramão do alfabetismo funcional, o que sinaliza o peso da experiência de vida na relação com as finanças pessoais

Um estudo inédito da Serasa Experian, em parceria com o IBOPE Inteligência e o Instituto Paulo Montenegro, revela que maior escolarização não significa, necessariamente, mais educação financeira entre os brasileiros de todas as faixas etárias e classes sociais. A análise, que cruzou pela primeira vez os dados do Indicador Nacional de Educação Financeira (INDEF), da Serasa Experian, e do Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF), desenvolvido pelo Instituto Paulo Montenegro em conjunto com a Ação Educativa, sinaliza que as diferentes experiências e situações passadas ao longo da vida têm maior impacto na atitude e no comportamento do consumidor ao lidar com as finanças. O estudo está ligado às ações da Serasa Experian na 6ª Semana Nacional de Educação Financeira (ENEF).

A análise por faixa etária dá sinais dessa constatação. No grupo de pessoas com mais idade (entre 55 e 64 anos), o Indicador de Alfabetismo Funcional vai na contramão do nível de educação financeira, veja gráfico abaixo.

“A educação financeira é um tema muito amplo e complexo, por isso cruzamos os dados nacionais do INDEF e do INAF para entendermos como se dá este aprendizado. Na análise, verificamos que as pessoas com maior alfabetismo funcional tendem a entender melhor os conceitos básicos de finanças. Mas o impacto acaba aqui, já que é possível verificar que a atitude e comportamento são influenciados por experiências práticas, acumuladas pela vivência financeira”, relata o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi.

“Com o resultado do cruzamento destes índices podemos desmistificar a ideia de que somente a educação formal pode melhorar a educação financeira no país. É preciso contar com iniciativas que considerem e conjuguem as experiências práticas e as decisões financeiras com a teoria aprendida nos bancos escolares, uma vez que identificamos que passar por essas situações agrega mais às dimensões de Atitude e Comportamento do INDEF do que o simples conhecimento das operações matemáticas”, comenta a coordenadora do INAF, Ana Lucia Lima.

No recorte que analisa a escolaridade, o letramento impacta apenas a dimensão Conhecimento do INDEF. Porém, isso não acontece com as dimensões Atitude e Comportamento que também compõem o índice. Ao levarmos em conta as descobertas trazidas nas análises por idade, é a vivência financeira que mais impacta estas dimensões. Clique aqui e veja os gráficos nas dimensões: Conhecimento, Atitude e Comportamento.

Comportamento financeiro dos brasileiros com maior renda não melhora, mesmo com aumento do letramento

Enquanto os índices de educação financeira e alfabetismo funcional crescem juntos, conforme o aumento da renda, o estudo mostra que o comportamento financeiro dos brasileiros com renda acima de cinco salários mínimos não é melhor do que os dos demais brasileiros. Nesta dimensão, o INDEF se mantém estável a partir de dois salários mínimos e não acompanha a evolução do INAF, o que demostra que, mesmo tendo um maior nível de alfabetismo, isso não necessariamente impacta na educação financeira do indivíduo.

“Essas pessoas, normalmente, têm dinheiro guardado e acesso a melhores linhas de crédito. Portanto, elas têm como evitar ou minimizar os impactos da inadimplência no caso de uma má decisão financeira. Isso demonstra que estas pessoas podem cometer os mesmos erros comportamentais de um brasileiro com baixa renda quando se trata de finanças”, reforça Luiz Rabi.

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