Crédito on-line preenche lacuna


Gradativamente, as fintechs contribuem para a expansão do mercado de crédito na América Latina. As plataformas de crédito on-line representam uma série de benefícios aos clientes. Ao associar estruturas enxutas e inovação tecnológica tanto nas operações quanto na análise de dados, essas empresas oferecem atendimento ágil e customizado. Em muitos casos, taxas de juros mais baixas do que as praticadas pelas instituições financeiras tradicionais.

Escolhidas pelo Google no Campus Exchange Latam Fintech, a Becual, do Chile, e a Credility, da Argentina, atuam com foco no crédito para pequenas e médias empresas (PMEs), segmento que tem dificuldade de acesso a recursos nos bancos por causa do excesso de burocracia e altas taxas.

Fundada em julho de 2014, com US$ 200 mil provenientes de dois fundos de investimentos mais capital próprio dos sócios, cujo valor não é revelado, a Becual já atendeu 110 empresas, totalizando mais de US$ 18 milhões em financiamentos. A fintech trabalha com duas modalidades – crédito com garantia por meio das Sociedades de Garantia Recíproca (SGR), que dão aval que respalda as operações, e factoring, desconto de faturas e duplicatas.

De acordo com Mario Ortiz e Herbert Schulz, os fundadores, a procura é maior na área de factoring. As PMEs contratam o serviço para acertar seus fluxos de caixa. “Se uma empresa pequena vende produtos ou presta serviços para grandes companhias, os pagamentos costumam ser feitos em 30 a 90 dias, então, antecipamos esses recebíveis”, diz Ortiz.

Pelas projeções, a Becual deverá atender até o final de 2018, somente na área de factoring, de 300 a 400 empresas por mês, o que representará um volume de financiamentos de cerca de US$ 4 milhões mensais. O que auxilia a expansão é o fato de que, no Chile, é possível consultar as faturas eletrônicas de vendas das empresas no portal do Serviço de Impostos Internos.

Conforme Ortiz, nem sempre as taxas são mais baixas do que as praticadas pelos bancos. “O grande diferencial é a velocidade, o processo de análise e de concessão é rápido. Os donos de pequenos negócios fazem muitas atividades sozinhos, não podem perder tempo”, diz. Outra vantagem é a transparência em relação às taxas e custos das operações.

Mais recente, a argentina Credility começou as operações em setembro de 2016. A plataforma de empréstimos on-line para PMEs, que utiliza um sistema próprio de pontuação para avaliar os clientes, foi estruturada com US$ 150 mil de um fundo de investimento e recursos dos sócios.

Até o momento, a fintech atendeu 28 pequenos e médios negócios – foram 45 operações totalizando US$ 500 mil. Superada a fase inicial, o projeto deverá ganhar escala. Está prevista uma nova rodada de US$ 500 mil de um fundo de investimento nos próximos meses. “Até o final de 2018, esperamos atender 120 empresas por mês, o que resultará em um volume de aproximadamente US$ 8 milhões no ano”, diz Matias Iturralde, co-fundador da Credility. De acordo com ele, na Argentina, as empresas de menor porte, sobretudo, prestadoras de serviços, têm dificuldades para acessar crédito nas instituições tradicionais.

Deixe uma resposta