“Bancos e Fintechs devem trabalhar juntos” afirma Sergio Furio, sócio-fundador do bankFacil


O primeiro Debate Expresso, projeto idealizado pela CMS que será realizado no dia 26 de abril no Espaço Milenium,  em São Paulo, irá discutir a relação entre bancos e fintechs.

Em entrevista exclusiva à Best Performance , Sergio Furio, sócio-fundador do bankFacil, fala sobre seu ponto de vista sobre o assunto. Sérgio, que é espanhol, iniciou sua trajetória na Europa e depois se mudou para Nova Iorque, onde focou seus esforços em estratégias de crescimento e melhora da experiência dos clientes. Fundamentado nessa experiência, trouxe ao Brasil um modelo inovador: um portal integrado e online para ajudar os clientes bancários. Confira a entrevista:

Best Performance : Nesta relação entre Fintechs e bancos, há quem acredite que as fintechs representam uma ameaça aos bancos e demais instituições do segmento enquanto outros enxergam o lado das possíveis parcerias. Como você enxerga este conflito ou estas parcerias?

Sergio Furio: A desproporção entre o tamanho dos bancos e das fintechs atualmente é tão grande que não acredito que exista esse conflito. Os bancos são grandes instituições que têm criado riqueza e contam com atributos fortes como robustez de capital, conhecimento da base e do histórico de clientes, etc. Por outro lado, as fintechs têm pontos fortes distintos como agilidade, inovação e estrutura enxuta, por exemplo. Por que não trabalharem todos juntos? As fintechs precisam interagir com as instituições financeiras para conseguir aportar valor ao sistema. E as instituições podem se beneficiar da eficiência da inovação das fintechs.

BP: Como você resume o papel da BankFacilfrente a todo esse cenário?

SF: A BankFacil é uma plataforma digital de originação de crédito focada no crédito com garantia. Esse tipo de operação é extremamente complexo, e com a tecnologia e nossos algoritmos de dados, conseguimos gerar eficiência ao mercado e  ofertar um produto com taxas de juros menores. Nós colaboramos com as instituições com dois objetivos: conseguir originar crédito a custo baixo graças à eficiência de nossa plataforma e aumentar o acesso a clientes no canal digital. Juridicamente atuamos como correspondente bancário e o funding final das operações vem de instituições financeiras ou de investidores institucionais.

BP: A Proposta da BankFacil é ajudar os brasileiros a melhorar suas escolhas relacionadas ao sistema bancário. Como você percebe o perfil do consumidor brasileiro? Quais são as dificuldades que você encontrou?

SF:O brasileiro tem uma situação de endividamento estranha. O endividamento como um todo é baixo,  cerca de  3 a 4 vezes inferior do que poderia ser, mas os juros são muito altos e os prazos curtos. Quando comparado com o que é praticado fora do país, o endividamento per capita no Brasil é considerado baixo. Queremos mudar esse cenário para que o brasileiro possa fazer os investimentos que precisa e gastar menos em juros, por meio de modalidades que hoje ele não acessa, como o crédito com garantia. O que a Bankfacil faz nesse sentido é mudar a estrutura da dívida das famílias, permitindo que os clientes incrementem os prazos, reduzam os juros e com isso consigam ter contas equilibradas.

BP: Você atuou na Europa, Estados unidos e agora veio empreender no Brasil. Como você percebe as diferenças entre o mercado financeiro brasileiro e dos países de primeiro mundo? O Brasil está indo no caminho certo?

SF: As principais diferenças do mercado brasileiro são a elevada concentração bancária e a forma como o brasileiro está endividado, com a maior parte das dívidas tomadas em modalidades de crédito de custo elevado, atingindo um  spread médio (diferença entre as taxas de juros cobradas) 10 vezes maior que a do norte-americano. Modalidades com taxas de juros mais competitivas como a do crédito imobiliário ainda tem participação baixa no país, representando apenas 30% do endividamento total, enquanto nos Estados Unidos essa participação é de cerca de 80%. Acredito que o surgimento das novas plataformas digitais pode representar um ressurgimento das instituições de pequeno e médio porte. Se conseguirmos fazer que as plataformas digitais cresçam, então as instituições de pequeno e médio porte ganharão aliados para crescer juntos e quem vai se beneficiar disso é o consumidor.

BP: O que as empresas podem e devem fazer para acompanhar a velocidade das mudanças de paradigmas trazidas por esses novos modelos de negócios, tanto no segmento financeiro quanto em outros segmentos?

SF: “Embrace innovation”. Instituições como BBVA na Europa, por exemplo, decidiram que o futuro da instituição seria se tornar um banco digital. Essas instituições estão focadas em adquirir startups inovadoras e atrair novos  talentos que consigam adicionar um jeito novo de se fazer as coisas. Acredito que as instituições mais inteligentes são as que estão abrindo as portas ao ecossistema. Se pensamos bem, isso já ocorreu em outros setores. Hoje vivemos em um mundo de arquiteturas abertas em que as grandes plataformas (facebook, apple, google) permitem o uso dos serviços para empresas novatas e, com isso, se cria um negócio ainda maior. Acredito que a tendência no sistema bancário seria a de ter as instituições como plataformas, com as quais todos demais players podem se conectar abertamente, mas mantendo os protocolos de segurança. Se Google e Facebook fizeram isso e ganharam com isso, por que não estender esse modelo para o resto?

BP: O que se pode esperar dessa discussão do Debate Expresso, que colocará no mesmo espaço as Fintechs, os Bancos e as empresas de tecnologia?

SF: Abertura, positivismo e bom humor. O mercado é muito grande e o povo brasileiro merece que todos trabalhemos juntos.

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