Apenas 4 em cada 100 inadimplentes priorizam quitar o cheque especial, apesar dos juros a 321,3% ao ano


O cheque especial não é prioridade para o brasileiro endividado, quando sobra um dinheiro no fim do mês. Apenas 4% dos 600 entrevistados da pesquisa nacional “Devedores do Brasil 2017” disseram que liquidam a dívida com o banco em primeiro lugar. O estudo é realizado anualmente pelo Instituto GEOC – que representa 16 das maiores empresas de cobrança do Brasil – e este ano foi feito entre os dias os dias 28 de setembro e 5 de outubro, em todas as regiões do país, em parceria com a Cantarino Brasileiro.

Entre as contas que são pagas primeiro estão as de Consumo (água luz, telefone fixo), citadas por 41% dos entrevistados, seguidas de Prestação da casa própria/aluguel (21%) e Cartão de crédito (20%).  “Os consumidores estão preocupados em não terem os serviços básicos cortados. Isso se reflete também no tipo de dívida que os brasileiros mais têm. As contas em atraso de água, luz e telefone fixo, que no ano passado foram citadas por 40% das pessoas, este ano caíram para 30%”, afirma o conselheiro do Instituto GEOC, Jefferson Frauches Viana, que complementa: “E 54% dos devedores consultados evitariam atrasar novamente estes boletos”.

Por outro lado, o cartão de crédito, que é o recordista de juros no Brasil segundo o Banco Central, com 332,4% ao ano no rotativo, é a principal dívida dos inadimplentes. Apesar de ter havido queda em relação a anos anteriores, 66,4% em 2015 e 58,2% em 2016, mais da metade dos devedores, 53%, têm dívida no cartão de crédito, segundo o levantamento. Já as contas em atraso de outros tipos de empréstimos pessoais caíram consideravelmente, como as do Crédito Consignado, que ano passado foram citadas por 25,5% e este ano por 11%; e o Crédito Pessoal, que passou de 48,7% dos atrasos para 26%.

 

Financiamentos

Os brasileiros também estão conseguindo liquidar suas dívidas de financiamentos. Os inadimplentes com atrasos nos empréstimos de veículos caíram de 19,2% em 2016 para 8% este ano. E no imobiliário o percentual foi de 15,2% para 5%.

Quantidade e valores das dívidas

O número de brasileiros com 3 dívidas ou mais caiu em um ano, de 51,5% para 45%. “As pessoas estão mais comedidas na hora de gastar e por isso estão conseguido, aos poucos, colocar as contas em ordem. Apenas 5% dos entrevistados justificaram que não conseguem pagar as dívidas atuais porque adquiriram novas. Ano passado, este percentual era o dobro, 11,4%”, analisa Viana.

Os endividados com mais de R$ 5 mil reais em débito no mercado caíram de 33% em 2016 para 18% este ano. Os que têm entre R$ 3 e 5 mil em dívidas recuou de 18% para 16%. Já os que devem entre R$ 1,5 mil e 3 mil foi de 18% para 19% e as dívidas menores cresceram: quem tem entre R$ 501 e 1,5 mil em dívida cresceu de 13% foram para 22% e até R$ 500,00 saltou de 8% para 14%.

 

Limpar o nome

O que mais motiva os brasileiros a liquidarem suas dívidas continua sendo limpar o nome, citado por 66% dos entrevistados. Este percentual é maior nas classes CDE e entre os solteiros.

 

Cobrança por meios digitais

As plataformas de autoatendimento foram utilizadas por 34% dos entrevistados, sendo que 86% deles ficaram muito satisfeitos ou satisfeitos com a experiência. Outros 42% ainda não tiveram a oportunidade de negociar pelos meios digitais, mas gostariam.

 

 

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